Home Data de criação : 07/02/15 Última atualização : 14/01/03 15:41 / 27 Artigos publicados

A Estética da Apresentação (projeto a ser desenvolvido)  escrito em quinta 15 fevereiro 2007 16:24

                                         por Alexandre H. Reis

            Todo aquele que se debruça sobre os textos de Nietzsche se depara com dois conjuntos de escritos. O primeiro representa o conjunto de textos publicados por Nietzsche e aqueles que tiveram sua publicação expressamente autorizada pelo filósofo. O outro conjunto é constituído pelo corpo dos fragmentos póstumos. O meu interesse nesse pequeno ensaio recusa esse último conjunto, não apenas por uma questão metodológica, mas também por uma questão estética. Primeiramente, a análise dos fragmentos póstumos exige um confronto com um sem-número de questões que levem em conta aspectos filológicos necessários para que se possa situar esses escritos numa relação direta com o primeiro conjunto. Como o problema da minha investigação situa-se no debate do estilo da escrita como problema fundante, os escritos póstumos, como aqueles que, uma vez reunidos, receberam o nome de Vontade de Potência, não encontram uma formulação final, sendo lançados apenas como notas e que dificilmente podem receber o estatuto de uma obra acabada. A esse respeito, em nossos dias já não parece haver muita discórdia sobre o caráter artificial e sem base filológica da reunião desses textos na obra Wille zur Macht. O conjunto de fragmentos ordenado pela irmã do filósofo, Elisabeth-Förster Nietzsche, é por demasiado duvidoso para que receba o merecimento de uma obra sistemática, o que não evidencia como problemática a relevância filosófica desses textos, que aliás tratam daqueles temas capitais da filosofia de Nietzsche muitas vezes de forma mais demorada do que os textos publicados. Assim sendo, a riqueza filosófica dos fragmentos póstumos é indiscutível, mas uma vez que não receberam o acabamento formal comum aos textos publicados, eles não terão um interesse primário para nesse pequeno escrito, que tende ao caráter estético da apresentação como problema fundamental do pensamento de Friedrich Nietzsche. Mais tarde, quando for o caso, tentaremos apontar em que medida a investigação de Martin Heidegger da filosofia nietzscheana foi unilateral, não levando em conta a relevância filosófica das obras publicadas por Nietzsche.

            O cuidado com o estilo me parece decisivo na obra nietzscheana, esse mesmo cuidado com a letra constitui uma das características mais fundamentais de uma filosofia que se pretende como recusa da metafísica. Os tratados filosóficos se preenchem, desde Aristóteles, daquele rigor quase exaustivo que torna o discurso cada vez mais árido. Tal rigor faz-se necessário em tais obras devido à uma lógica interna. Ao contrário do velho Kant, por exemplo, Nietzsche constrói a sua obra explorando, num só tempo, recursos que há muito não apareciam nos livros de filosofia. A escrita nietzscheana toma para a sua argumentação a metáfora, a intenção irônica, a fábula, a alegoria e, como se evidencia no Zaratustra, elementos bíblicos, como a parábola.  

            Pretendo apontar algumas questões que são relevantes para a leitura da obra de Nietzsche. Paralelamente à disciplina "Estética Clássica", ministrada pela prof. Dr. Virginia Araujo, onde pude participar da exposição e debate de problemas centrais da estética de Kant e Schiller, procurei apontar aqui, de forma geral, questões que considero fundamentais para a compreensão da filosofia nietzscheana, ou seja, aquelas que dizem respeito à forma de expressão do texto e que evidenciam não apenas problemas estéticos importantes, mas questões que se mostram, a partir da estética, relevantes para a compreensão do pensamento de Nietzsche como um todo.

 

* * *

 

O primeiro livro de Nietzsche, O nascimento da tragédia, ou helenismo e pessimismo (1872), é a obra-prima de seu aprendizado sobre a cultura clássica, mas não somente. Ele não deve ser lido apenas como uma obra voltada para a Grécia clássica, mas deve também ser visto como um escrito dirigido à Alemanha de seu tempo. Não deve ser lido meramente como uma obra filológica, mas sobretudo deve ser entendido como uma das obras filosóficas mais importantes de Nietzsche, e é indiscutivelmente uma das mais difíceis.

            Em seu livro, Zaratustra, tragédia nietzscheana, Roberto Machado aponta a questão que Nietzsche, ao tentar demonstrar conceitualmente as principais teses de sua primeira obra, estaria mais próximo do racionalismo socrático do que da poesia trágica. É certo que o próprio Nietzsche em 1886 faz duras críticas quanto ao aspecto formal de O nascimento da tragédia, demonstrando estar um tanto desgostoso em relação ao seu caráter de expressão. Mas, embora haja esse descontentamento por parte do filósofo na sua "Tentativa de autocrítica", nos parece exagerada a afirmação de Roberto Machado, uma vez que a maneira com a qual Nietzsche expõe as suas teses na obra de 1872, do ponto de vista da expressão, aproxima a prosa criativa da prosa douta ou acadêmica. Nietzsche procede, nesta que é uma das obras mais belas de sua pena, não somente por meio do argumento discursivo, mas envereda-se por sendas que conduzem a argumentação à anedota e às metáforas. Quando, através da leitura atenta, descobrimos que os objetivos do filósofo são diversos e que são por demasiado ambiciosos, a obra revela-se híbrida, pretendendo-se uma clarificação do surgimento e morte da tragédia clássica. Mais do que isso: após a análise do problema grego, que, mais do que filológica, revela-se filosófica e psicológica, a trajetória do espírito investigativo do jovem Nietzsche volta-se para a Alemanha contemporânea, pretendendo-se como uma proposta para a recriação das condições que tornaram possíveis as artes na Grécia antiga. Esse empreendimento está ligado sobretudo à influência de Richard Wagner, e o relacionamento do filósofo com esse grande nome da música alemã constituirá um dos episódios mais fascinantes da bibliografia do autor de Zaratustra. Para Nietzsche, a música é a mais perfeita expressão da estética. Ela acompanhará a obra do filósofo até os seus últimos escritos.

            O nascimento da tragédia traz duras críticas a tendência racionalista de Sócrates, imputando-lhe o caráter definitivo do processo de decadência da Grécia Clássica. Nietzsche descreve Sócrates como o homem teórico, aquele homem que se move puramente por instintos lógicos; essa influência caminhou no sentido de corrigir o homem trágico, no sentido de torná-lo sóbrio e sabedor de sua sobriedade.

 

"Todavia, a palavra mais incisiva em favor dessa nova e inaudita estimação do saber e da inteligência foi proferida por Sócrates, quando verificou que era o único a confessar a si mesmo que não sabida nada; enquanto, em suas andanças críticas através de Atenas, conversando com os maiores estadistas, oradores, poetas e artistas, deparava com a presunção do saber. Com espanto, reconheceu que todas aquelas celebridades não possuíam uma compreensão certa e segura nem sequer sobre suas profissões e seguiam-nas apenas por instinto. "Apenas por instinto": por essa expressão tocamos no coração e no ponto central da tendência socrática. Com ela, o socratismo condena tanto a arte quanto a ética vigentes; para onde quer que dirija o seu olhar perscrutador, avista ele a falta de compreensão e o poder da ilusão (...)"

                                                                    O nascimento da tragédia, cap. 13. 

 

            Para Sócrates, o filósofo ou aquele que se pretende à verdade, deve lançar-se em busca do conceito, e as respostas mais cabais do método dialógico devem ser formuladas como definições. Nietzsche apresenta-nos através de uma linguagem muito bem elaborada, não nos enganemos nesse sentido, as suas críticas à filosofia socrática e defende uma metafísica que se revela devedora da filosofia de Schopenhauer. Voltando-se para o espírito de seu tempo, ele procura sustentar, mediante a falência da empreitada do cristianismo, a tese de um re-nascimento do trágico na modernidade. Apostando sobretudo nas filosofias de Kant, Schopenhauer e na música de Richard Wagner. Para ele, a arte, e sobretudo a arte trágica, é única instância capaz de suprir as carências metafísicas que constituem o gênero humano. É interessante notar que mais tarde, precisamente a obra que marca o rompimento do filósofo com Wagner e Schopenhaeur será aquela que dará início ao estilo marcado pelo aforismo: Humano, demasiado humano (1878).

 

* * *

 

Reconhecendo o caráter problemático do tema do discurso nietzscheano, uma vez que entendo esse caráter como fundante, proponho-me a discutir o tecido lingüístico de seu estilo. Se o estudioso do Discurso do método de Descartes, ou da Ciência da lógica de Hegel, ou ainda da Ética de Spinoza, esforça-se por encontrar novas possibilidades, novos temas para o debate imanente à obra desses autores, aquele que se debruça demoradamente sobre a obra de Nietzsche, afim de ruminar as suas idéias, encontra em seus textos uma concentração de possibilidades que permitem a experimentação do pensamento. Diferentemente de O nascimento da tragédia, as obras do filósofo, a partir de 1878, encontram no aforismo uma maneira de expressão que rompe com a tradicional forma de apresentação da filosofia. A leitura daquelas obras cujo estilo predominante é o aforismo, não encontra respostas definitivas, mas elementos que permitem que a interpretação se lance a essa experimentação denominada perspectivismo.

            A recusa de uma linguagem conceitual representa a recusa de uma tradição metafísica: o que move a filosofia de Friedrich Nietzsche não é a busca pela essência ou a pergunta pelo ser do ente, ao contrário disso, o texto nietzscheano move-se pela exclusão de uma mediação conceitual que nutre os textos da tradição com uma lógica que permite uma rigidez constitutiva da identidade, do ser, do absoluto. A forma tradicional dos textos da filosofia é uma forma predominantemente argumentativa que opera por meio de conceitos, mas a estratégia nietzscheana, uma vez que para Nietzsche filosofar é avaliar, consiste na arte de interpretar: "Um aforismo bem construído não é decifrado pelo simples fato de ser lido. É preciso, então, começar sua interpretação, o que demanda uma arte de interpretar."[1]Para que haja uma elucidação, um decifrar daquilo que se leu, é necessário a arte da interpretação. A condição para tal arte é uma faculdade "que exige qualidades bovinas (...). Falo da faculdade de ruminar"[2]: o demorar-se em um aforismo como condição de sua interpretação e compreensão.

       Com Humano, demasiado humano Nietzsche inaugura um estilo de filosofar que tem no aforismo o seu mais astuto modo de expressão. Essa forma já fora usada pelos moralistas franceses, onde se apresentava como uma sentença breve e decisiva que sintetizava um conceito ou um juízo. E por Schopenhauer, claramente uma das maiores influências de Nietzsche nesse sentido, pois os aforismos da obra mencionada e de outras como A gaia ciência e Além do bem e do mal, são elaborados em uma, duas linhas, ou até mesmo em várias páginas. Mas a forma mais decisivamente revolucionária na filosofia de Nietzsche é constituída não pelo aforismo, mas pela palavra poética. A apresentação do pensamento filosófico se dá em Assim falou Zaratustra por meio de uma linguagem que não se nutre pelo conceito, o que distancia esse livro das demais obras da filosofia: aqui pensamento e poetização coincidem e não se expressam como coisas separadas e distintas.

        O intuito de nossa investigação revela uma preocupação com a roupagem estilística usada pelo autor. Não há dúvidas de que, tal como entendemos, o estilo da escrita de Nietzsche levanta problemas filosóficos fundamentais dentro de sua obra. Crítico da tradição, o filósofo recusa (para a sua escrita) a linguagem conceitual, o sistema e os tratados demonstrados à maneira dos geômetras. A palavra poética assume a sua mais radical forma de expressão.

 

* * *

 

O Zaratustra de Nietzsche tem causado entre os estudiosos as mais diversas controversas no que diz respeito à sua definição quanto à forma, que escapa às categorias conhecidas de uma obra filosófica e mesmo às de uma obra artística. É uma obra filosófica sob o suave tecido da poesia ou é um poema que pretende uma pesquisa filosófica? É um poema em prosa, ou mesmo, como foi levantado recentemente, uma tragédia nietzscheana? Essas questões sempre suscitadas estão longe de encontrar um acordo definitivo. Mas o que se pretende discutir aqui é que a palavra poética, ao tomar o lugar do conceito, indica um afastamento daquelas vias tradicionais que conduzem aos conceitos da metafísica. A palavra poética e o pensamento filosófico estão atrelados numa relação tão íntima que se distanciam do sentido que ganharam na tradição, onde constantemente se viam separados numa relação antagônica. Zaratustra traz jogos de palavras, símbolos e uma musicalidade que lhe garante o sentido poético dado pelo autor. Suas parábolas aludem muitas vezes aos escritos bíblicos, e o pensamento não se move por meio de conceitos especulativos como no caso da filosofia de Hegel ou mesmo a de Schelling, onde a abstração revela-se como o caminho do pensamento ¾ ao contrário disso, as intuições de Nietzsche ao escrever Assim falou Zaratustra se concretizam nas metáforas, no ritmo, na musicalidade, na palavra poética. 

            Assim falou Zaratustra é uma obra que deva ser lida do mesmo modo que se ouve música? É uma obra para os ouvidos? Por que a palavra poética é aqui a apresentadora de um pensamento que se expressa de forma não demonstrativa, não argumentativa? Qual a relação entre essa obra e O nascimento da tragédia, que se situa num período onde o autor ainda vislumbrava o renascimento da arte trágica na modernidade e encontrava-se ainda tão ligado a Kant, Schopenhauer e a Richard Wagner? Qual o lugar que a tematização do estilo discursivo ocupa em relação a O nascimento da tragédia? Em que medida o lugar da palavra poética, predominante no Zaratustra de Nietzsche, aponta uma ruptura definitiva em relação ao conjunto de categorias que organiza o universo conceitual e a estruturação discursiva da obra publicada em 1872?

            Para entendermos o projeto Zaratustra, ¾ onde a palavra poética toma para si a voz e fala-nos aos ouvidos como música, pois esta é, senão outra, a tese de fundo de nosso trabalho, a tese de que Assim falou Zaratustra é uma obra para os ouvidos,  gostaríamos de trazer para esse entendimento alguns elementos discutidos por Nietzsche em outras obras. Além do bem e do mal parece encarnar as palavras de Zaratustra: "De tudo o que se escreve, aprecio somente o que se escreve com seu próprio sangue. Escreve com sangue; e aprenderás que o sangue é espírito.".[3]Nesse prelúdio a uma filosofia do futuro, Nietzsche mostra seu desgosto pelas obras dos alemães, e como crítico da língua alemã condena:

 

Que tortura são os livros escritos em alemão para aquele que possui o terceiro ouvido! Como se detém contrariado junto ao lento evolver desse pântano de sons sem harmonia, de ritmos que não dançam, que entre os alemães é chamado de "livro"!

(Além do bem e do mal, § 246)

                O filósofo parece exigir a arte em cada boa frase, exigir a precisão nas sílabas ritmicamente decisivas, e mesmo a maestria na escolha de cada vogal, de cada ditongo, para que os ouvidos sutis e pacientes possam gozar a simetria de tais seqüências. A partir dessa delicadeza no escrever é então permitido um modo mais rico que compõe a frase e eleva o som à sutileza da música. "Ai, quanto necessito agora de música! (...) Terá existido algum homem com tanta sede de música como eu sinto agora?". Essas palavras foram retiradas de uma correspondência de Nietzsche a Malwida von Meysenbug, na ocasião em que o filósofo concluía a terceira parte de seu Zaratustra.

            E se esse é um livro para os ouvidos, ele foi escrito para ser lido em voz alta: "O alemão não lê em voz alta, não lê para os ouvidos, mas apenas com os olhos: ao fazê-lo, põe os ouvidos na gaveta" (ABM, § 247). A leitura em viva voz, i e, em voz alta, permite, segundo Nietzsche, perceber todos os crescendos,  as inflexões, todas as mudanças de tom e variações de ritmo. O pregador, o púlpido, representa para ele a eloqüência que conhece o peso da escolha de uma sílaba, de uma palavra ¾ e os discursos que conquistam a habilidade na retórica se lhe aparecem como apaixonadamente artísticos. Daí considerar a Bíblia de Lutero, entre outros motivos, o melhor livro escrito em alemão.

            Assim falou Zaratustra é, diferentemente de O nascimento da tragédia, uma obra que pretende realizar a adequação entre conteúdo e expressão. É um livro de filosofia com uma inegável impressão artística. Assim sendo, o estilo com o qual ela foi composta se manifesta pela recusa daquela linguagem conceitual que nutria os discursos metafísicos da tradição; ao contrário disso, o pensamento é apresentado através de uma linguagem artística, por meio da palavra poética. Essa recusa do conceito nos parece, da mesma forma, uma recusa da tradição metafísica ¾ a estética da apresentação, o estilo empregado pelo autor, a palavra poética são uma alternativa ao discurso tradicional, é a realização de um projeto que de alguma forma já se mostrava, ainda que de forma embrionária, na obra publicada em 1872.  Se O nascimento da tragédia ainda se apresentava por meio de uma linguagem tradicional, lançando mão dos conceitos tradicionais da metafísica, tais como os de Kant e Schopenhauer, embora numa linguagem revestida pela metáfora e pela fábula, o Zaratustra, pelo lugar ocupado pela palavra poética, torna-se agora expressão de um pensamento filosófico não conceitual e não demonstrativo. A palavra poética, mais do que o aforismo, é a radicalização da linguagem filosófica. É o pagamento da dívida que Nietzsche tem com a música, com a arte superior: "Comparada com a música, toda comunicação por palavras é vergonhosa; as palavras diluem e brutalizam; as palavras despersonalizam; as palavras tornam o incomum comum".[4]E como já dissemos antes, Zaratustra é uma obra para os ouvidos




[1]Genealogia da Moral, (GM) "Prefácio", §. 8.

[2]idem

[3]Assim Falou Zaratustra, "Do ler e do escrever", Parte I.

[4]Nietzsche, Fragmento póstumo, outono de 1887, 10 [60].

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3 comentário(s)

  • Elida Oliveira mailto

    Seg 12 Nov 2007 04:43

    Alexandre, encontrei seu blog quando fazia uma pesquisa no google, sobre "A dama do mar". Acho que vou ficar por aki, pois arte e filosofia sempre me fascinam.

    Vou ler com calma seu texto sobre Nietzsche, e reler mais uma vez suas observações sobre mim, quero dizer, sobre a Elida também.

    Ótimo trabalho e até breve.


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